Um tanto quanto mórbida a minha respiração. Não valeria a pena citar o assassinato de minha euforia se não fosse um prazer relembrar uma dor. Estava esticada na cama, alongando os dedos dos pés enquanto me concentrava em manter o celular parado em cima da orelha esquerda. Minha voz falhava a medida em que, depois de um tempo calada, retomava fôlego e palavras, ou melhor, resmungos, para responder. Era uma voz doce, a que vinha do outro lado. De longe, confundida com a de um menino. Era gostoso ouvir sua respiração. Apesar de não me agradar muito o fato de escutar, de fundo, os torcedores gritando eufóricos pelo gol do corinthians na tv.