Acaso

By sahgf

A voracidade retornava aos corpos dormentes em estado de impulso imediato. Inesperadamente, sempre. De início, minha cabeça em outro lugar, buscava compatibilizar a tontura embriaguez com a procura instintiva de Guilherme. Não o acharia nunca naquela tamanha multidão semelhante, mas continuava a fazê-lo.

Julia, amiga da amiga, não era tão linda quanto em minha mente, mas sua felicidade me fazia sorrir. Era eu aquela que perguntava sobre uma futura e incerta relação dela e da amiga, a pedidos da última. Sem surpresas, não foi alívio nenhum a demonstração clara de que não havia relação alguma.

Continuei a dançar pelo salão com a mão de Julia segurando a minha com uma delicadeza extrema. Nossas cinturas se juntavam à medida que gargalhávamos ao pé do ouvido. E era bom sentí-la. Suas palavras agora eram comprometedoras. Falava sobre mim, falava bem de mim. Suas intenções transparentes clareavam as minhas, não por coincidência, compatentes.

E o sorriso gostoso de Julia chocou-se com o meu, literalmente. Posteriormente os lábios, e a língua. Uma sinfonia que de tão distinta, perfeita. Eu tocava em suas costas e puxava-a junto a mim, com seus cabelos em minhas mãos procurando seu rosto. Seus toques em meu colo beirando o decote de minha blusa ofuscavam nossos olhos dissimulados. Seus seios junto aos meus sentiam-se no ciclo de movimento. E era tão doce o seu olhar. 

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